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Número de cursos de pós-graduação em IA dobra em 2025
O número de cursos de pós-graduação lato sensu com foco em inteligência artificial (IA) passou de 507 em 2024 para 1.159 em 2025, crescimento de 128%. Desde 2022, quando havia 208 cursos, o aumento foi de 457%. Os dados foram levantados pela Folha na plataforma e-MEC, base de dados do Ministério da Educação (MEC), que reúne informações oficiais sobre cursos e instituições de educação superior no Brasil. Os cursos de pós-graduação lato sensu são voltados ao mercado de trabalho, com foco em formação prática e técnica, como especializações e MBAs. Exigem diploma de graduação e têm duração mínima de 360 horas. Diferem da pós-graduação stricto sensu, que confere títulos de mestre e doutor e segue regras de autorização e avaliação definidas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Em 2025, o setor privado concentrou 98% dos cursos de especialização em inteligência artificial em funcionamento no país. A educação a distância responde pela maior parte dessa expansão. Ao todo, 86% dos cursos são ofertados nessa modalidade. O maior percentual de cursos (55,5%) se encontra sobretudo nas áreas de computação e tecnologias da informação. O segundo maior grupo (25,3%) reúne especializações nas áreas de negócios, administração e direito. Para Ronaldo Mota, titular da cátedra em Inteligência Artificial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o crescimento da oferta não pode ser interpretado como um fenômeno passageiro. "Certamente não se trata de hype. Estamos falando de algo que veio para ficar e que afetará todas as áreas de atividades humanas, sem exceção", afirma. Segundo ele, processos que levaram cerca de 25 anos para se consolidar com a popularização da internet tendem a ocorrer em um intervalo muito mais curto no caso da IA, possivelmente ao longo de apenas cinco anos. Embora ferramentas como o ChatGPT tenham ampliado a visibilidade do tema desde 2022, Mota afirma que elas representam apenas "a ponta do iceberg" de um conjunto mais amplo de transformações tecnológicas ainda em curso. A expansão dos cursos, afirma, está associada a fatores que vão além desse impulso recente. "O crescimento da oferta está ligado à demanda do mercado por profissionais qualificados, aos avanços tecnológicos em áreas como aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural e visão computacional, à maior acessibilidade dos cursos online e ao caráter interdisciplinar da inteligência artificial, que atrai profissionais de diferentes setores". Em contraste com a rápida expansão da pós-graduação lato sensu, a formação stricto sensu avança em outro ritmo. Hoje, o país tem apenas um mestrado que contempla a IA no nome do curso, ofertado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), na área de engenharia de produção. O programa, atualmente denominado Engenharia Industrial e Inteligência Artificial, se chamava Engenharia de Produção e Sistemas até a mudança de nome, implementada em 2025. Segundo a coordenadora do curso, Marta Pereira da Luz, a alteração buscou tornar mais visível um foco já presente nas pesquisas. "Ao evidenciar a inteligência artificial como um eixo estruturante, o programa se posiciona de forma mais estratégica para aprofundar parcerias com empresas, desenvolver projetos conjuntos de inovação e contribuir para a formação de profissionais alinhados à transformação digital em curso nos setores produtivos", conclui. (Fonte: Folha de São Paulo)
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