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Escolas precisam equilibrar reajuste de mensalidade e gestão
Para que as instituições de ensino tenham uma gestão eficiente, o reajuste das mensalidades escolares precisa considerar uma série de pilares que vão além do índice de inflação, entre eles: cenário macroeconômico, realidade financeira das famílias, concorrência, custos operacionais e investimentos necessários para a manutenção da escola e da qualidade pedagógica. Ao mesmo tempo, as instituições de ensino precisam estar atentas às regras jurídicas que envolvem contratos, inadimplência, matrículas e responsabilidades nos ambientes escolar e digital. Todos esses pontos foram apresentados no painel “Matrículas e Mensalidades 2027 – Aspectos Econômicos e Jurídicos”, que integrou a programação do Congresso SinepeRio 2026 – Educação na Era da Distração Digital, realizado em agosto de 2026. “As definições sobre as mensalidades devem começar o quanto antes, em meados de julho e agosto. Caso contrário, uma decisão equivocada pode comprometer a saúde financeira da escola ao longo de todo o ano seguinte”, explicou Frederico Venturini, Presidente do SinepeRio. Economista, pedagogo e diretor de escola, Venturini reforçou que “As escolas precisam ter clareza sobre seus custos e sobre os investimentos que precisam realizar, ao mesmo tempo em que devem compreender a capacidade financeira das famílias. Um reajuste acima da inflação pode aumentar a inadimplência e, consequentemente, comprometer a sustentabilidade da instituição”. Ainda de acordo com Venturini, comunicar às famílias, de forma clara e transparente, os investimentos realizados pela instituição, desde melhorias na estrutura física e no mobiliário até tecnologia e capacitação de professores, também é fundamental para demonstrar e justificar o valor cobrado. Mais do que informar, é preciso fazer com que esses investimentos sejam percebidos pelas famílias e associados à qualidade da educação oferecida. O assessor jurídico do SinepeRio, Renato Santiso, participou do painel ao lado de Frederico Venturini e ressaltou que o reajuste das mensalidades não pode ser arbitrário. “A legislação estabelece um prazo para a divulgação do valor das mensalidades escolares, assegurando que as famílias tenham conhecimento prévio do contrato e dos valores que serão praticados antes de realizarem a matrícula.” Para além do reajuste das mensalidades escolares, outros pontos foram abordados durante o painel, entre eles a inadimplência e os limites e medidas que podem ser adotadas pelas instituições de ensino durante o ano letivo. “O aluno inadimplente não pode ser submetido a punições pedagógicas em razão da dívida, como ser impedido de frequentar as aulas, realizar provas ou ter documentos retidos em caso de transferência. A questão financeira deve ser tratada por meio dos instrumentos legais de cobrança, sem transformar a inadimplência em penalização educacional”, orientou Santiso. Ao final do painel, a inteligência artificial (IA) e as possibilidades de sua aplicação na gestão financeira das escolas também entraram em pauta. Para Frederico Venturini e Renato Santiso, o uso da tecnologia pode contribuir para a análise de um volume maior de dados, a identificação de padrões e a projeção de diferentes cenários, oferecendo aos gestores e mantenedores novas ferramentas para a tomada de decisões relacionadas a custos, receitas, inadimplência e planejamento. “O uso da inteligência artificial deve ser usado a nosso favor na busca por soluções que sejam boas tanto para as escolas quanto para pais e responsáveis. Mas também é necessário que os gestores revisem periodicamente suas políticas de descontos e evitem renovações automáticas de benefícios sem uma análise de sua efetividade e de seu impacto financeiro”, concluiu Frederico. (Fonte: SinpeRio)
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