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Conheça a rotina de uma educadora que possui 101 anos de idade
Aracy de Teixeira Lyra é considerada um patrimônio educacional de Marechal Hermes, bairro da zona norte do Rio de Janeiro. Ao 101 anos, ela continua trabalhando como diretora da escola que fundou na década de 1950, o Colégio Américo de Oliveira. Aracy vai três vezes por semana ao trabalho, às segundas, quartas e sextas-feiras. Costuma chegar por volta das 9h, fica até a hora do almoço e volta para casa antes das 14h. Prestes a completar 102 anos — o aniversário é em novembro —, ela diz que tem a disposição de uma jovem. “Eu não me canso”, diz ao Estadão, em um misto de brincadeira e sinceridade. No Américo de Oliveira, divide as tarefas burocráticas da diretoria com o filho, Ubiratan Lyra, de 79 anos, que também dirige o colégio desde os anos 1990. Ele deixou a carreira de engenheiro para ajudar a mãe na tarefa de orientar e educar os jovens de Marechal Hermes. Aracy foi professora por muitos anos, mas hoje não está mais à frente das salas de aula. Mesmo assim, o contato com os estudantes é frequente. Ela sabe usar sua experiência para conversar com alunos com mau comportamento e com aqueles que estão com dificuldades nas notas e nas lições de casa. “É de mãozinha dada, de passar a mãozinha na cabeça deles e agir. Para mim, os jovens hoje não são ruins. São ótimos. Mas o que a vida está oferecendo a eles está um pouco difícil”, conta Aracy, com voz firme e articulada. Quando não vai ao Américo de Oliveira, a educadora frequenta o centro espírita Maria Angélica às terças-feiras e, às quintas, passa por sessões de fisioterapia e hidroterapia. Hoje, ela usa um andador para se locomover. Apesar de continuar trabalhando e de cuidar da saúde física e espiritual, ela diz que o principal segredo de sua longevidade é a dieta “adventista” que segue. “[Ela come] apenas carne de peixe, muitos legumes e saladas, e não costuma colocar sal na comida nem beber líquidos durante as refeições”, diz o filho Ubiratan, que conversa com a reportagem ao lado da mãe. Ela completa: “Sem uma boa alimentação não se chega a lugar nenhum.” História Aracy nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1924. Na época, ensinar era um caminho natural em uma região que oferecia poucas oportunidades de trabalho às mulheres. “Cabia a escolha apenas entre enfermagem e professora. Então, escolhi (ser) professora.” Formada e casada, mudou-se para o Rio de Janeiro. Começou a dar aulas no quintal de casa, já em Marechal Hermes, para estudantes interessados em ingressar no Colégio Militar. Seu filho, Ubiratan Lyra, hoje também diretor do Américo de Oliveira, era um dos seus alunos. Com o alto nível de aprovação dos estudantes que passavam pelas mãos de Aracy, a professora capixaba passou a ficar conhecida no bairro. “Começou esse alvoroço em Marechal Hermes. Quem é a Dona Aracy?”, lembra o filho dela. A professora passou a receber mais alunos e deixou de fazer apenas a preparação dos estudantes para o Colégio Militar. Começou a dar aulas de ensino básico para algumas turmas. Com a ampliação das classes e a constante procura pelos seus serviços, resolveu fundar a escola Américo de Oliveira, em 1953, e batizá-la com o nome de seu pai para homenageá-lo. “O homenageei pela educação que ele nos deu. Educação rigorosa, exigente, mas também com muito amor. Devo muito a ele e à minha mãe tudo o que eu recebi”, diz. A escola, que antes funcionava no quintal de uma casa, passou para um sobrado, transferiu-se para um prédio adquirido e hoje conta com duas unidades na região. Para dar conta de tudo isso, Aracy tem a ajuda do filho Ubiratan, que largou a profissão de engenheiro da Marinha no início da década de 1990 para se dedicar exclusivamente à direção e à coordenação do colégio. “Peguei experiência com a pessoa que entende, né”, diz Ubiratan, que nunca tinha tido nenhuma experiência com educação antes. “E até hoje eu pego experiência e aprendi com ela. Caráter, dignidade, força de vontade. Não é fácil chegar aos 101 anos — vai fazer 102 em novembro — com essa energia e essa vontade de trabalhar.” Sobre o filho, Aracy também é só elogios: “Ele é excelente, (tem muita) dedicação. Sou muito grata a tudo o que ele vem fazendo. Faço tudo isso com muito amor. E agora, com a presença do filho, está tudo completo.” (Fonte: O Estado de São Paulo)
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| Boletim Diretor - Colégio 24 Horas | ||||